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Espaço de Cecília Rodrigues

Poética de Mim

Cecilia Rodrigues

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Pode a distância separar-te
dos teus amigos?
Se queres estar junto
de alguem que amas,
não te parece que já lá estás?..(RichardBach)
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July 14

Certo dia...

Certo dia ...

Certo dia , assim...
Olhei para o céu,
Vi um Zeppelin.
Foi ao entardecer,
Nem quis acreditar
No que estava a ver...
Voava baixinho...
E um pouco assustados,
Eu e o maninho...
Ficamos estagnados.
Que objeto estranho
Que voava ali...
Tão pequeno tamanho
Parecia um Ovni...´
Perguntei por aí
Ninguém me ligou,
Naquilo que eu vi,
Ninguém acreditou.
Menininha ainda
Era de se esperar
Visão de criança,
Quem vai acreditar?
Passaram os anos
Verdades contei
Respostas e planos
Na web  procurei.
Charuto voador
Foi o que encontrei
Um sonho de amador
Enquanto naveguei.
Não tem explicação
Para o acontecido
O charuto Zeppelin
Já tinha explodido
Foi em trinta e sete
Que desapareceu.
Sonho de marionete
Foi o que vi no céu.
Há mais de uma década
Não fazia sentido
Talvez uma réplica
Por alguém produzido.
 
Olhei para o céu...
Certo dia assim...
Vi uma réplica...
De um Zeppelin.
 
Cecília Rodrigues - 2009
 
July 08

Quero vencer

 
Tenho muito que aprender
Muito teto para abrir
Muito sol para entrar
Pra ajudar-me a seguir,

E esta jornada vencer.

Num tapete de Esperança
Canto sempre a sorrir
Uns versos para o luar
Enquanto enxugo o carpir,

Faço um jogo de criança.

Aprendiz de lenço branco
Quero paz e ser feliz
Quero o rumo do meu Norte
Minha pena é quem o diz.

O meu canto é meu suporte.

"Quero ir , quero vencer
De mãos dadas c'o Senhor
Quero ir quero voltar
Como num sonho de amor"


Cecília Rodrigues - 2009
July 06

Diário de um cão feliz -IV

Snoopy _ IV

 

 

Estou com saudades do “Boneco”.

- Boneco é um gato simpático que mora aqui ao lado. Sua dona trabalhava com os meus donos. Faz tempo … mudaram-se para mais longe.

"Nela" (a dona do gato) deixou de trabalhar aqui connosco.
Hoje, ela veio nos visitar. Se pudesse falar …perguntava-lhe: - Como está o meu amigo Boneco? – Como não consigo falar, limitei-me a dar aqueles gritos e pulos incontidos de alegria ao vê-la.
Fez-me muitas festinhas (carinhos) acho que também tinha saudades minhas, deu para perceber, sei que ela também me adora. Eu sempre sei quem gosta de mim…tenho um faro certeiro.·
- Boneco, é um gato bem farfalhudo, acho que é de raça (ouvi uns comentários sobre isso). Eu também sou de raça conhecida. Dizem que sou um Cocker, todos me acham bonitinho… (risos) (apesar de ser um cão…estou sempre atento aos comentários).

Uns destes dias, todos riam muito, quando em grupo minha dona mostrou o meu livrete de informação. Lá estão minhas vacinas …e minha identidade. – Pois é! Cão também tem identidade! – Tenho pai de nome “Bono”. – Mãe de nome “Boneca”. Acho que por isso gosto tanto do meu amiguinho gato. Lembram-se que falei dele no inicio…chama-se “Boneco”. Coincidência ou não é a realidade.
– Mas, como ia falando, morro de saudades dele.
Aqui no relvado, enfrente no prédio do lado, passava-mos as tardes a jogar à bola, fingia-mos lutas, rolando na relva de um lado para outro.
A minha dona de tão feliz e surpresa, por ver esta amizade entre cão e gato…tirou fotos, fez um filme, até colocou na net (isto é mais umas das conversas que vou ouvindo). Afinal sou um cão actualizado...Assim, o mundo pode apreciar esta amizade entre dois animais que supostamente se odiariam.

- Mas, isto tem uma explicação:
- Sou um cão inteligente e com sentimentos. Por isso, amo os amigos dos meus amigos.
Até dizem que valho mais que muita gente.
Nunca esqueço aqueles que me acarinham, mesmo que passem muitos anos. Reconheço-os sempre. Faço questão de os cumprimentar, da única forma que sei…aproximo-me …abano o rabinho…e o resto, está escrito em meu olhar…

- Só espero que a velhice não me traga alterações e eu possa sempre reconhecer os meus amigos.

Snopy - ( Por Cecília Rodrigues )

 

In- “Diário de um Cão Feliz”

 

May 27

Diário de um cão

 

 

Meu nome é Snoopy,

 

Hoje fui premiado. Minha dona deu-me um abraço. Hoje ela estava diferente, sem aquele ar preocupado e com aquele ar repreensivo ausente.

Fiquei tão feliz…só queria que ela entendesse o meu olhar, ia ver escrito nele, o meu agradecimento e o meu afecto. Só queria poder falar para expressar todo o meu sentimento.

 

Eu sei que ela me ama, mesmo que não o demonstre a todo o instante, mesmo que pareça distante.

Sei que sou um cão de sorte, porque sou peça importante, isto a gente sente.

 

Ainda hoje, cansei de bater á porta, não sei porque não me ouviam. Humildemente enrolei-me sobre o tapete de entrada e pacientemente esperei. Tinha a certeza, de que estava alguém em casa, estavam distraídos ou tinham adormecido, resultado de muitas horas de trabalho de meus donos.

 

-Ainda não contei o porquê estar a bater á porta: -“ logo cedo, incomodo todos para sair de casa e ir dar a minha voltinha matinal “, logo, logo, eu volto…e lá estou eu a incomodar novamente, mas fazer o quê? – Não tem outro jeito. Sou apenas um cão! Ainda bem que todos compreendem.

 

 

 

 

 Diário de um cão II

 

Aproxima-se  quarta-feira:

 

Esse dia é diferente, vamos viajar. Os meus donos, estão de folga, (conversas que ouço) ou pensam que por ser um cão, estou desatento às conversas?

– Não consigo controlar minha euforia. A única linguagem que conheço…o latir …pois é! – Não paro de latir. Um latir pertinente que deixa tudo e todos bastante irritados, eu percebo isso, mas não consigo evitar, é mais forte do que eu.

Enquanto preparam minha manta confortável, para seguir viagem na bagageira, não consigo silenciar meu latir…toda a vizinhança fica inquieta para saber o que se está a passar.

Isto, porque sou um cão muito querido e todos se preocupam comigo.

Depois de tudo pronto…lá vamos nós! Vamos para uma cidade próxima… bem ali…à beira-mar. ---Eles ainda não sabem, mas já fiz amizades por lá.

- Um certo dia, éramos muitos, muitos… disputando uma namorada, e que briga feia!

- Saí bem da confusão, ma o bom disso tudo, foi um amigo que ganhei, ele fez questão de me acompanhar até casa. São estas pequenas coisas que me fazem gostar da cidade e de meus donos.

-No caminho de casa, meu amiguinho, de olhos tristonhos, passo lento, estava feliz por me acompanhar. Não entendi muito bem, mas acho que não tinha para onde ir. Nem sei se tinha o que comer, nem sei se tinha alguém que gostasse dele; entrei pelo portão entreaberto de minha casa, subi lentamente os degraus, enquanto pensava …como eu era feliz sem saber!...

 

 

Cecília Rodrigues

 

 

 

 

Diário de um cão III…

 

Esta folga, foi diferente, viajei com o meu dono mais novo.

Crescemos juntos, acho que precisava de um cão amigo, porque às vezes tinha medos, mesmo não sendo um sem abrigo e como a sorte anda comigo…cá estou eu há doze anos. Não estava nos meus planos, ser chamado de irmão, verdade seja dita com a sorte maldita que alguns cães têm … sou um privilegiado por ter ao meu lado um irmão do coração.

 

- Apesar disso, fiz um reboliço, porque viajamos sozinhos, não sabia o que se estava a passar, se os meus donos iam chegar …(Há coisas difíceis para um cão entender) o meu irmão do coração, já estava a ficar chateado de tanto mandar eu ficar calado. Dizendo: - Vais ser castigado…não te levo à praia para pisares na areia e numa onda ficares enrolado.(Isto porque sabe da minha paixão pela água).

 

- Algumas horas passadas… um ruído na calçada, eis, que chega por quem eu desesperava. Os meus donos, finalmente! Incontidos gritos de alegria soltei com euforia, por eles tolerados sempre pacientemente. Reboliços no chão, de patas pró ar …sempre à espera de carinhos…sempre a chatear.

 

-No dia seguinte, lá fui eu no meu passeio matinal, seguindo pela marginal, galgando todas as rochas que as ondas vêm beijar. Não antes de eu as baptizar… (risos)

Sinto-me livre como aquelas gaivotas. Beijo as ondas que me querem agarrar.

Vou e depois volto, num ritmo que elas querem me dar.

- (Acho que estou ficando poético, influências de minha dona que às vezes brinca de poesia, risos).

 

No caminho de casa observo à distância, aquele amigo de estância, de olhar passivo.

Observava tímido, todo o meu percurso, se não fosse a trela presa na mão, o teria convidado, tirava-o da solidão. Mas como não sei falar, segui o meu caminho sempre pensando naquele amiguinho…que tem uma “vida de cão” !

 

-Digam lá, se tenho sorte ou não!?

 

Cecília Rodrigues

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

June 14

Sou um pobre vagabundo

 
Sou um pobre vagabundo
 
 
 
 
Surge um clarão na minha  estrada,
conduz-me a mão nesta jornada,
Minha vida, meu pão,saindo do nada...
E ao redor meu irmão,triste na sacada...
Um peso no olhar...de pálpebra cerrada,
Engana o coração...com um tímido sorriso,
E sem tino ou siso...d
eambula pelo chão...
Encena mais um acto,nesta peça de teatro...
No palco onde o Mundo, tem um pobre vagabundo...
Sem cortinas nem Guião.

Cecília Rodrigues
junho-
08
 

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Mercedeswrote:

Querida Cecília

 

Seu blog está lindo como sempre.

Parabéns amiga.

Beijos e um FELIZ NATAL  e 2009 e anos consecutivos plenos de paz, amor e saúde.

Beijinhos carinhosos e fraternos

Carinhosamente

 

Dec. 21

FERMOSA E GENTIL DAMA, QUANDO VEJO & A TESTA DE OURO

E NEVE, O LINDO ASPEITO, & a BOCA GRACIOSA, O RISO HONESTO,

O COLO DE CRISTAL, O BRANCO PEITO, & DE MEU NÃO QUERO MAIS

QUE MEU DESEJO, & NEM MAIS DE VÓS QUE VER TÃO LINDO GESTO,

ALI ME MANIFESTO & POR VOSSO A DEUS E AO MUNDO;

ALI ME INFLAMO & NAS LÁGRIMAS QUE CHORO, & E DE MIM,

QUE VOS AMO, & EM VER QUE SOUBE AMAR-VOS, ME NAMORO;

E FICO POR MIM SÓ PERDIDO, DE ARTE & QUE HEI CIÚMES DE

MIM POR VOSSA PARTE.

 

AUTOR: LUÍS DE CAMÕESAbraço para a esquerdaRosa vermelhaPara a minha amiga cecí, com carinho!

June 6

Abraço para a esquerdaRosa vermelhaPara a minha amiga CECÍ, com carinho.TONI

June 3

Nua, és tão simples como uma das tuas mãos, = = lisa, terrestre, minúscula, redonda,

 Transparente, = = tens linhas de lua, caminhos de maçã, = = nua, és delgada como o trigo nu.

Nua, és azul como a noite em Cuba, = = tens trepadeiras e estrelas no cabelo = = nua,

És enorme e amarela = = como o verão numa igreja de ouro. = = Nua, és pequena

Como uma das tuas unhas, = = curva, subtil, rosada até que o dia nasce = = e entras

 No subterrâneo do mundo = = como num longo túnel de roupas e trabalhos:

A tua claridade apaga-se, veste-se, desfolha-se = = e volta a ser outra vez uma

Mão nua. = = Vens da pobreza das casas do Sul, = = das regiões duras do frio

E terramotos = = que, mesmo quando os seus deuses rolaram para a morte,

Nos deram a lição da vida na argila. = = Tu és um cavalinho de argila preta, um

Beijo = = de barro escuro, amor, papoila de argila, pomba do crepúsculo que

Voou nos caminhos, = = mealheiro de lágrimas da nossa pobre infância.

Moça, tu conservaste o coração de pobre, = = os pés de pobre acostumados

Às pedras = = a boca que nem sempre teve pão ou delícia.

Tu és do Sul pobre, donde a minha alma vem: = = no seu céu a tua mãe

Continua a lavar roupa com a minha = = por isso te escolhi companheira.

Com loureiro do Sul e orégão de Lota = = te coroo, pequena rainha dos meus ossos,

E não pode faltar-te essa coroa = = que a terra elabora com bálsamo e folhagem.

Tu és, como aquele que te ama, das províncias verdes: = = de lá trouxemos barro

Que nos corre no sangue, = = pela cidade andamos, como tantos, perdidos,

Com medo de que fechem o mercado. = = Bem-amada, a tua sombra tem

Perfume de ameixa, = = os teus olhos esconderam no Sul as suas raízes,

O teu coração é uma pomba de mealheiro, = = o teu corpo é liso como os seixos na

 Água, = = os teus beijos são cachos orvalhados, = = e eu, a teu lado, vivo com a terra.

Autor: Pablo Nerudapara a minha amiga CECÍLIA. de TONI

June 2

          CORAÇÃO VADIO

 

Meu doido coração aonde vais,

No teu imenso anseio de liberdade?

Toma cautela com a realidade;

Meu pobre coração olha que cais!

 

Deixa-te estar quietinho! Não amais

A doce quietação da soledade?

Tuas lindas quimeras irreais,

Não valem o prazer duma saudade!

 

Tu chamas ao meu seio, negra prisão!

Ai, vê lá bem, ó doido coração,

Não te deslumbre o brilho do luar!....

 

Não ‘stendas tuas asas para longe…

Deixa-te estar quietinho, triste monge,

Na paz da tua cela, a soluçar…

 

Autora = F. ESPANCAAbraço para a esquerdaCoração vermelhoRosa vermelhaPara a minha nova amiga  CECÍLIA, com carinho, um beijo. TONI

June 2