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Espaço de Cecília Rodrigues

Poética de Mim

Cecilia Rodrigues

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Pode a distância separar-te
dos teus amigos?
Se queres estar junto
de alguem que amas,
não te parece que já lá estás?..(RichardBach)
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May 27

Diário de um cão

 

 

Meu nome é Snoopy,

 

Hoje fui premiado. Minha dona deu-me um abraço. Hoje ela estava diferente, sem aquele ar preocupado e com aquele ar repreensivo ausente.

Fiquei tão feliz…só queria que ela entendesse o meu olhar, ia ver escrito nele, o meu agradecimento e o meu afecto. Só queria poder falar para expressar todo o meu sentimento.

 

Eu sei que ela me ama, mesmo que não o demonstre a todo o instante, mesmo que pareça distante.

Sei que sou um cão de sorte, porque sou peça importante, isto a gente sente.

 

Ainda hoje, cansei de bater á porta, não sei porque não me ouviam. Humildemente enrolei-me sobre o tapete de entrada e pacientemente esperei. Tinha a certeza, de que estava alguém em casa, estavam distraídos ou tinham adormecido, resultado de muitas horas de trabalho de meus donos.

 

-Ainda não contei o porquê estar a bater á porta: -“ logo cedo, incomodo todos para sair de casa e ir dar a minha voltinha matinal “, logo, logo, eu volto…e lá estou eu a incomodar novamente, mas fazer o quê? – Não tem outro jeito. Sou apenas um cão! Ainda bem que todos compreendem.

 

 

 

 

 Diário de um cão II

 

Aproxima-se  quarta-feira:

 

Esse dia é diferente, vamos viajar. Os meus donos, estão de folga, (conversas que ouço) ou pensam que por ser um cão, estou desatento às conversas?

– Não consigo controlar minha euforia. A única linguagem que conheço…o latir …pois é! – Não paro de latir. Um latir pertinente que deixa tudo e todos bastante irritados, eu percebo isso, mas não consigo evitar, é mais forte do que eu.

Enquanto preparam minha manta confortável, para seguir viagem na bagageira, não consigo silenciar meu latir…toda a vizinhança fica inquieta para saber o que se está a passar.

Isto, porque sou um cão muito querido e todos se preocupam comigo.

Depois de tudo pronto…lá vamos nós! Vamos para uma cidade próxima… bem ali…à beira-mar. ---Eles ainda não sabem, mas já fiz amizades por lá.

- Um certo dia, éramos muitos, muitos… disputando uma namorada, e que briga feia!

- Saí bem da confusão, ma o bom disso tudo, foi um amigo que ganhei, ele fez questão de me acompanhar até casa. São estas pequenas coisas que me fazem gostar da cidade e de meus donos.

-No caminho de casa, meu amiguinho, de olhos tristonhos, passo lento, estava feliz por me acompanhar. Não entendi muito bem, mas acho que não tinha para onde ir. Nem sei se tinha o que comer, nem sei se tinha alguém que gostasse dele; entrei pelo portão entreaberto de minha casa, subi lentamente os degraus, enquanto pensava …como eu era feliz sem saber!...

 

 

Cecília Rodrigues

 

 

 

 

Diário de um cão III…

 

Esta folga, foi diferente, viajei com o meu dono mais novo.

Crescemos juntos, acho que precisava de um cão amigo, porque às vezes tinha medos, mesmo não sendo um sem abrigo e como a sorte anda comigo…cá estou eu há doze anos. Não estava nos meus planos, ser chamado de irmão, verdade seja dita com a sorte maldita que alguns cães têm … sou um privilegiado por ter ao meu lado um irmão do coração.

 

- Apesar disso, fiz um reboliço, porque viajamos sozinhos, não sabia o que se estava a passar, se os meus donos iam chegar …(Há coisas difíceis para um cão entender) o meu irmão do coração, já estava a ficar chateado de tanto mandar eu ficar calado. Dizendo: - Vais ser castigado…não te levo à praia para pisares na areia e numa onda ficares enrolado.(Isto porque sabe da minha paixão pela água).

 

- Algumas horas passadas… um ruído na calçada, eis, que chega por quem eu desesperava. Os meus donos, finalmente! Incontidos gritos de alegria soltei com euforia, por eles tolerados sempre pacientemente. Reboliços no chão, de patas pró ar …sempre à espera de carinhos…sempre a chatear.

 

-No dia seguinte, lá fui eu no meu passeio matinal, seguindo pela marginal, galgando todas as rochas que as ondas vêm beijar. Não antes de eu as baptizar… (risos)

Sinto-me livre como aquelas gaivotas. Beijo as ondas que me querem agarrar.

Vou e depois volto, num ritmo que elas querem me dar.

- (Acho que estou ficando poético, influências de minha dona que às vezes brinca de poesia, risos).

 

No caminho de casa observo à distância, aquele amigo de estância, de olhar passivo.

Observava tímido, todo o meu percurso, se não fosse a trela presa na mão, o teria convidado, tirava-o da solidão. Mas como não sei falar, segui o meu caminho sempre pensando naquele amiguinho…que tem uma “vida de cão” !

 

-Digam lá, se tenho sorte ou não!?

 

Cecília Rodrigues

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

June 14

Sou um pobre vagabundo

 
Sou um pobre vagabundo
 
 
 
 
Surge um clarão na minha  estrada,
conduz-me a mão nesta jornada,
Minha vida, meu pão,saindo do nada...
E ao redor meu irmão,triste na sacada...
Um peso no olhar...de pálpebra cerrada,
Engana o coração...com um tímido sorriso,
E sem tino ou siso...d
eambula pelo chão...
Encena mais um acto,nesta peça de teatro...
No palco onde o Mundo, tem um pobre vagabundo...
Sem cortinas nem Guião.

Cecília Rodrigues
junho-
08
June 04

Metáteses

 
 
Metáteses  
 

Com as metáteses de um poema que sonhei,

E que depois eu esqueci…

Fiz versos imperfeitos,

Foi quando, então eu vi…

Que com outras metáteses que inventei,

Construi um castelo de palavras…

Todinhas para ti. Fiz um puzzle tão bonito,

Com carinho o guardei…

Mesmo imperfeito o que estava escrito,

Apoiando o rosto sobre o desdito…

Foi para o  meu sonho que eu  voltei!

 

Cecília Rodrigues

Portugal _ 2005


Todos os direitos reservados  a autora

June 03

Movem-se(me )os tempos

 
 Mote
 
Neste Mundo se aninham
Vertentes mui' diversas
Vidas muito dispersas
Poemas que  desalinham
Estórias minhas caminham
Rendilhadas de  ilusão
Cheias d'alma e coração
Em poesia tão vulgar!
Espezinhado o meu pensar
Faz rabiscos de emoção.
 
-------------------------------------------------------------
I
 
Tantas coisas más eu vejo
Sulcos de dor nos jornais
Lágrimas d'anjos e ais
Desesperado desejo:
De apenas ter um beijo
E o regaço que não tinham
Quando á noitinha definham
Tantos sonhos sem luar
Tantos males a pairar,
Neste Mundo se aninham...
II

Há um céu só de engodos
Aquarelas só de dor,
Emoldurando o desamor
Na paleta apenas lodos...
Num olhar que era de todos
Traço em linhas reversas
Vielas controversas
-Tão dificil entender!
Mãos q'não deviam nascer;
-Vertentes mui'diversas!
 
III
 
Uns acalentam  sonhos
Ou vivem sob escombros
Outros, encolhem  ombros,
Numa indiferença total
Por impotência casual
Desconversam, conversas;
Vivem a vida ás avessas,
Num egoismo comungado;
Ironia, lado a lado...
-Vidas muito dispersas!

IV

Vislumbro em meu desejo
Ter de Deus Suas Artes
Vivenciá-las por partes
Ofuscar o que vejo,
Afastar seres sem pejo
Ouvir vozes que caminham
Estros, que se avizinham,
Na tinta do meu papel
Alinhar em carrocel
Poemas que desalinham.

V

Ardiloso meu pensar
Compraz nas conjucturas
Edifica algumas juras
Esvaídas pelo tempo
E a aurora num lamento
Chorou lágrimas que tinha
E a poesia que adivinha
Tem rios de veleidades
Meus rabiscos são verdades
Estórias minhas caminham.

VI
 
Creio num belo porvir
Futuro feito de amor
Sem ingratidão, sem dor;
Onde a paz há-de fluir
Num qualquer ano a seguir...
Presume a minha visão;
E as penas de mão em mão
Em versos de açucenas
Serão só cantilenas
Rendilhadas de  ilusão.

VII
 
Ah!O poeta é um zé ninguém
Quando deveras sente
A dor de toda a gente...
Escreve o que lhe convém
-Até diz que tem vintém!
Mesmo quando diz que não...
Verga a esquina em contra-mão
Tenho ilusões de rotina,
sonho cantigas de ardina
Cheias d'alma e coração.

VIII
 
Em minha nostalgia
Vou castelos inventar
Semelhante ao meu olhar
Que diverge em simetria
Ora, transmite alegria
Ora, pára pra pensar;
Continua um divagar...
D'uma ilusão que tinha...
Tracejando uma linha
Em poesia tão vulgar!

IX

Renascida no hoje
Actualidade intemporal
Ao ler notícia de jornal
Uma revolta que urge
De um desejo que surge
Mas nada vai adiantar
Impotente vou ficar
Nesta vida sem entender
Esperar e ver para crer...
-Espezinhado o meu pensar;
X

Coberto de  revolta...
abate o que o rodeia
E envolva á cruz alheia.
O entulho anda á  solta
Burros e sua escolta
Ainda mandam,e então?
Já o Aleixo tinha razão!
-meu pensar persistente,
Afoito e pertinente,
Faz rabiscos de emoção.
 
Cecília Rodrigues
Maio-2008
May 31

Mulher_2007

 
 
 Mulher
 
Cecília Rodrigues
 

 
 
Mulher , aquela flor mais rara
 que enfeita a jarra do mais puro cristal,
 de cor transparente, florida e sorridente,
 exala o amor, repartindo-o por toda a gente.
 
 No sei jeito de menina, parece bailarina,
 no seu modo de andar.
 Em seu colo embala, o filho que se regala,
 com seu jeito de cantar.
 
 É amor, é alegria é sublime simpatia sempre a repassar.
 
 No ondular das marés, és bonança, és poesia
 no marulhar das ondas és harmonia.
 
 Vês muito além do Horizonte,
dos amores és a fonte,
semente da terra prometida.
 És o sonho do futuro,
dando frutos à vida .
 
 Ao teu redor
não há perigo que resista a tua Fé,
 enfrentas sem temor, é mais forte o teu amor
 de mãe , amiga e companheira .
 
 És vitória, és conquista, és o sonho do Poeta,
 a sua musa predilecta, és Mãe de Jesus .
 
 Sempre gloriosa,
Mãe da humanidade,
vestida de humildade, serás sempre Tu!!!
 
 
Cecília Rodrigues
 Portugal

 
 

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Querida Cecília

 

Seu blog está lindo como sempre.

Parabéns amiga.

Beijos e um FELIZ NATAL  e 2009 e anos consecutivos plenos de paz, amor e saúde.

Beijinhos carinhosos e fraternos

Carinhosamente

 

Dec. 21

FERMOSA E GENTIL DAMA, QUANDO VEJO & A TESTA DE OURO

E NEVE, O LINDO ASPEITO, & a BOCA GRACIOSA, O RISO HONESTO,

O COLO DE CRISTAL, O BRANCO PEITO, & DE MEU NÃO QUERO MAIS

QUE MEU DESEJO, & NEM MAIS DE VÓS QUE VER TÃO LINDO GESTO,

ALI ME MANIFESTO & POR VOSSO A DEUS E AO MUNDO;

ALI ME INFLAMO & NAS LÁGRIMAS QUE CHORO, & E DE MIM,

QUE VOS AMO, & EM VER QUE SOUBE AMAR-VOS, ME NAMORO;

E FICO POR MIM SÓ PERDIDO, DE ARTE & QUE HEI CIÚMES DE

MIM POR VOSSA PARTE.

 

AUTOR: LUÍS DE CAMÕESAbraço para a esquerdaRosa vermelhaPara a minha amiga cecí, com carinho!

June 6

Abraço para a esquerdaRosa vermelhaPara a minha amiga CECÍ, com carinho.TONI

June 3

Nua, és tão simples como uma das tuas mãos, = = lisa, terrestre, minúscula, redonda,

 Transparente, = = tens linhas de lua, caminhos de maçã, = = nua, és delgada como o trigo nu.

Nua, és azul como a noite em Cuba, = = tens trepadeiras e estrelas no cabelo = = nua,

És enorme e amarela = = como o verão numa igreja de ouro. = = Nua, és pequena

Como uma das tuas unhas, = = curva, subtil, rosada até que o dia nasce = = e entras

 No subterrâneo do mundo = = como num longo túnel de roupas e trabalhos:

A tua claridade apaga-se, veste-se, desfolha-se = = e volta a ser outra vez uma

Mão nua. = = Vens da pobreza das casas do Sul, = = das regiões duras do frio

E terramotos = = que, mesmo quando os seus deuses rolaram para a morte,

Nos deram a lição da vida na argila. = = Tu és um cavalinho de argila preta, um

Beijo = = de barro escuro, amor, papoila de argila, pomba do crepúsculo que

Voou nos caminhos, = = mealheiro de lágrimas da nossa pobre infância.

Moça, tu conservaste o coração de pobre, = = os pés de pobre acostumados

Às pedras = = a boca que nem sempre teve pão ou delícia.

Tu és do Sul pobre, donde a minha alma vem: = = no seu céu a tua mãe

Continua a lavar roupa com a minha = = por isso te escolhi companheira.

Com loureiro do Sul e orégão de Lota = = te coroo, pequena rainha dos meus ossos,

E não pode faltar-te essa coroa = = que a terra elabora com bálsamo e folhagem.

Tu és, como aquele que te ama, das províncias verdes: = = de lá trouxemos barro

Que nos corre no sangue, = = pela cidade andamos, como tantos, perdidos,

Com medo de que fechem o mercado. = = Bem-amada, a tua sombra tem

Perfume de ameixa, = = os teus olhos esconderam no Sul as suas raízes,

O teu coração é uma pomba de mealheiro, = = o teu corpo é liso como os seixos na

 Água, = = os teus beijos são cachos orvalhados, = = e eu, a teu lado, vivo com a terra.

Autor: Pablo Nerudapara a minha amiga CECÍLIA. de TONI

June 2

          CORAÇÃO VADIO

 

Meu doido coração aonde vais,

No teu imenso anseio de liberdade?

Toma cautela com a realidade;

Meu pobre coração olha que cais!

 

Deixa-te estar quietinho! Não amais

A doce quietação da soledade?

Tuas lindas quimeras irreais,

Não valem o prazer duma saudade!

 

Tu chamas ao meu seio, negra prisão!

Ai, vê lá bem, ó doido coração,

Não te deslumbre o brilho do luar!....

 

Não ‘stendas tuas asas para longe…

Deixa-te estar quietinho, triste monge,

Na paz da tua cela, a soluçar…

 

Autora = F. ESPANCAAbraço para a esquerdaCoração vermelhoRosa vermelhaPara a minha nova amiga  CECÍLIA, com carinho, um beijo. TONI

June 2